Estudantes da rede estadual de Pouso Alegre abrem cápsula do tempo e revivem trajetória no Ensino Médio
Projeto da Escola Estadual Presidente Bernardes tem como objetivo fortalecer o sentimento de pertencimento escolar
Uma viagem no tempo marcada por sonhos, expectativas e memórias está sendo vivenciada por estudantes da Escola Estadual Presidente Bernardes, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Quando ingressaram no 1º ano do Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI), em 2024,os estudantes foram convidados a escrever cartas, registrar e guardar objetos que representassem aquele momento de suas vidas em uma cápsula do tempo. E nessa última quinta-feira (8/10) chegou o momento de abrir o baú de memórias.
A estudante Amanda Duarte de Castro, do 3º ano do EMTI, conta que a abertura da cápsula do tempo foi um momento divertido e nostálgico. “A melhor parte foi viver isso junto dos meus amigos. Encontrei cartas dos meus pais, dos meus amigos e até cartas que escrevi para mim mesma. Foi uma grande surpresa! Acho que a principal mudança do primeiro para o terceiro ano do Ensino Médio está na forma como enxergamos a nós mesmos e o mundo ao nosso redor. A gente amadureceu muito”.
Segundo a professora, o reencontro com as mensagens foi marcado pela emoção. Alguns estudantes se surpreenderam ou até sentiram vergonha do que escreveram no primeiro ano. Outros perceberam que determinados sonhos mudaram ou que aquilo que consideravam importante já não ocupa o mesmo espaço em suas vidas.
“É muito interessante ver essa mudança de perspectiva. Para mim, é uma realização. O objetivo do professor é esse: formar o estudante de forma integral”, afirma.
Legado
A proposta, desenvolvida na disciplina de Projeto de Vida, cria uma oportunidade para que os jovens comparem quem eram ao chegar ao Ensino Médio com quem se tornaram ao longo da trajetória escolar. O material é cuidadosamente guardado pela escola e só volta a ser aberto quando os estudantes chegam ao terceiro ano.
“É um meio de criar o sentimento de pertencimento com a escola. Eles chegam ao Ensino Médio e, antes de irem embora, precisam abrir essa cápsula. Para eles, três anos é muito tempo. Quando abrem, encontram relatos de como percebiam a vida naquele momento e conseguem enxergar o próprio amadurecimento”, destaca Amanda Vilas Boas Goldberg, professora de Projeto de Vida e idealizadora do projeto.
A iniciativa é desenvolvida pela escola desde 2021, quando a unidade passou a ofertar o EMTI.
Pertencimento
A implementação EMTI ampliou o tempo de permanência dos alunos na unidade e fortaleceu a possibilidade de construir vínculos com o espaço escolar, com os professores e com os colegas. A proposta se soma a outras experiências desenvolvidas pela escola, como feiras de conhecimento e atividades que envolvem a participação dos estudantes.
“Quando a gente olha para a cápsula do tempo, consegue perceber o grau de pertencimento que esses alunos construíram. Eles chegam ao primeiro ano de uma forma e, no terceiro, conseguem olhar para trás e perceber o quanto evoluíram, tanto na convivência quanto na maneira de enxergar a escola e a própria vida”, explica o diretor, Taylor Andrade.